domingo, 28 de julho de 2013

Numa Tarde de Sol (em que me deixei espreitar)



17.07.13

Jorro agora em papel os sentidos quando se
Esvaem dogmas  em olas de pedantes.
Os versos, incipientes, sei-os mais que idos
Ribeiro abaixo rolam, absurdos e moucos

E em toda a medida do espaço
Senta-se a lógica, toda ela vida.
A Vara não me repara, nem me repasta.
Mastiga-me a incongruência, por onde passo
E me abandona assim – meia morta e despida.

Maria Fernandes,
in Contemplações, Constatações e 30 Ventos (2014)

(revisto em 11.01.2014)


sábado, 13 de julho de 2013

Do Dia que Corre



Desperto quente,
Na tecitura das últimas manhãs infernais e
Urge que me dispa de silêncio.
Conta-me, hoje, do abraço meu
Que não sentiste durante esta noite.
Fala-me dos meus dedos que te não
Deslizaram a pele, nem o corpo
Nem os pelos do peito.
Conta-me do Mar que te lambeu em
Salmoura-Norte – como o vem fazendo
Eternamente à tua Mãe-escarpa.
Conta-me das lágrimas que
Te fez esquecer uma vez mais.
- Afinal é um novo dia.

Conta-me agora, que estou esbaforida,
Agora, que vai já o dia mingando
E a qualquer hora hás-de chegar
Às paredes azuis mudas – olhar-te-ão
E talvez me penses. E não estou.
Como nunca estou.

Maria Fernandes,
in Contemplações, Constatações e 30 Ventos (2014)

Declaração




Declaração

Eu, Norberto – um homem novo vindo dos infernos, navego agora à ilharga do vale de onde me fiz e  onde me esculpo para sempre.
Eu, que guerreio e atiro os braços ao ar em força e em ânimo, vomito o âmago em asco quando me ferem e traem os  Olhos circundantes da perniciosa Vara que finge pasto para só mais pasto contrair...e engolir. E esmiuçar. Tragar a terra e o povo como se terra e povo não fossem intragáveis e indemolíveis!
Eu, Norberto Damásio, 39 anos, de vale esculpidos – não vendi nunca a coluna a demónios da Terra!

Norberto Damásio

DO SAL DO MAR

A frescura que
tantas vezes
dentro de mim falta
anseio abraçar
ao atirar-me
em teu Sal,
ó Mar!

Da escarpa,
minha mãe,
que lambes
eternamente
e dás sabor e côr,
me debruço em ti
– vejo-me.


Norberto Damásio

COORDENADAS



Passeamos os âmagos em cidades Antigas.
Tão Antigas como o suspiro que
Se verte em passadas largas
Por passeios ancestrais.

Jorramos palavras na Teia do Hoje
Como quem semeia o joio do Amanhã.
Não há forma de se Ser o que se não é
Ainda que se banhe o odor em sombra vã!

 

Maria Fernandes

Armadura


Decresce o tempo para que, enfim,
Me possa urdir da armadura que é
Há muito, muito ida - talvez até possa
Usar a Inerte Máscara
Essa antiga cara que usei, que sempre usei.

Derrete o tempo e tento que tudo se
Desfaça em ondas da ideia de não-Ser.

Decresce o tempo e comprimo a
Essência aos mínimos do tolerável.

Desaparece, descarado, o tempo
E já na tua pele me confesso insanável.

- Eu não sou a guerreira de todos os tempos, sou-o apenas do Nosso.

  



Maria Fernandes,
in Contemplações, Constatações e 30 Ventos (2014)