domingo, 19 de agosto de 2012

Vertigo of your Femininity; Acute; Chronic and Galloping


Vertigo, wilderness of being, cliff of a stoned waterfall of beauty
From Polynesia to Caribbean, two Oceans in igneous atolls eyes in One
Maori of myself in the vertigo of the endlessness of you in the monstrous of inaccessible  
My boat travelled universes, the candour of the core of your plausible womb.

Ulysses hasn’t fell, to then find in the fountain, the sea maid’s chant
In the charm’s vertigo feeling around your aura like a mantle
Divine Exchange of the Ocean’s blue cobalt for your eyes’ jade turquoise
Angel’s Metamorphosis and its treatise, chapter one, your return and to feel loved

The beach waited for in you see herself and then whisper the sea to drop the bonds
Celebrating your soul’s vertigo, as large as Heaven the Earth, flying shiver
The Sun leans over the plankton of your hair and your skin watching your mouth outpouring honey

In war times, the oneiric flash of your voice talks about love communion and mercy
In the vertigo of your exuberance, ethereal monument to the tropics, exaltation of the heart
Igneous Diva, irascible genius,  disconcerting expressiveness ,  virgin vertigo.




Jorge Batista Figueiredo

Tradução do português: Maria Fernandes




sábado, 18 de agosto de 2012

Da Impossibilidade do Ser

Mil palavras em teu regaço debitaria e pelejaria, besta
E ainda assim raza me quedaria
Na penúria da erma rua da minha predilecção.
E que fazer à sensação de transbordo de alma? 
Rezar (em vão, digo) para que célere nos consuma?
Atirar à mercê de ventos desfraldados os desígnios de sonhos vários?
Na inócua esperança de que cada lágrima rocha se torne
E que até eu enrijeça e hirta te afronte, besta, como sempre me afronto
E como quase sempre, também perco. Entranhas e tudo.
Vísceras viscerais e tudo. Como sempre tudo o que perco.

Abandono a arena com os restos do demoníaco desejo
Intraduzível e impronunciável "esmigalhados" e confundidos 
Com a barrenta arena, regaço e mortalha do Grito mudo
Roça agora a estranheza, as imutáveis palavras que 
Não são deste tempo nem deste lugar, nem deste barro.
São da ígnea Constelação seguinte, à que sucumbiremos,
Libertinos, ébrios e crédulos na impossibilidade do Ser.

sábado, 11 de agosto de 2012

Contemplação X


Momento 1 e Momento 2
Salpicos de Luar nessa erma aldeia nocturna por oceanos banhada
Por entre Pitadas de Estrelas, e
No momento em que em diagonais opostos nos contemplamos, 
embalados pelos restícios da dor de nos vermos e sabermos 
na evidência da génese semelhantemente inequívoca..

Maria Fernandes, in Contemplações, Constatações e 30 Ventos (2015)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

CONSTATAÇÃO II

Ri-me por dentro ao ver que até debaixo da Terra te afundas. Imagino que tenhas já apodrecido, de tão podre que já eras. "Ah, meu filho da puta, tarde foste!"
Falta muito, ainda - constato. "Caralho!"

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Eis-me

Afasta essa madeixa, acaricia-me a face - beija-me a fronte.
Deixa que a suave brisa em mim
Deposite a verdade da minha ausência.
Se a figura ébano no banco de
Jardim às três da matina não me
Segredou as palavras contidas no
Livro sacro-secreto, receita do
Arroto que ressoou nas desertas
Ruas da minha cidade.
Se o latão alado que aqui me trouxe e
Não cuidou que cá me sonhasse embutir.
Se a cinza estática que noutra
Banda me aguarda não guarda
De mim a mais pálida memória.
Na cinza, de sombra não passo.
Na cinza de águas me não ato.
Deleito-me e deito-me nos vãos da
Minha escadaria, a que percorro
Com a ideia de lá em cima
Encontrar o meu Rosto, se é que
O levo comigo.

Afasta essa madeixa de cabelo -
Acaricia-me a fronte.
Permitirei que te banhes na
Tempestade contida dos meus olhos.
Permitirei que me arrebates
Em disfarçada e secreta paixão.
E dar-me-ei sem condição
Até que me vá. Até que em ti me vá.

Maria Fernandes, in Contemplações, Constatações e 30 Ventos (2015)

(revisto em 11.01.2014)

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Contemplação IX

1
A cada noite em que me atiro
Na horizontalidade das palavras e sou depois
 Arrancada ao sonho pelas garras das madrugada
Que na erma dificuldade das lágrimas
Me deixam hirta e suspensa, morta e inanimada
Suplico pelo entendimento do meu canto inócuo.

2
Se essa sentença absurda me embatuca,
Me cala à tua beira, como respirar?
Como caminhar, como respirar?
O eco não me traz resposta alguma
E já nem certeza tenho de a querer ouvir
Com medo de ensurdecer e ensandecer.
Desconheço realmente este Reflexo no espelho
- em palavras se transforma.

3
Quis prostar-me de braços abertos,
Receber a frescura dos céus - um burbulhar
De partículas vibrantes a recriar os tremores
que me causam a tua proximidade...
Inebriar-me na aquática melodia do meu quintal,
Querer saber porque perseguida fui através das marés
Dos Perplexos Oceanos que nos apartaram sem dó.

4
O rasto luminoso e invisível a comuns mortais
Que deixas neste corpo a cada milímetro
De toque amorna-me a alma e permite
À mente o ideal repetido por ínfimas eternidades...
Depois da partida resta-me o desejo de  
Confessar às paredes ainda brancas
O grito austero que me afoga o peito.
O grito que me subjugou ao teu cheiro,
Que me deixou colada à tua pele.
Já não sou mais eu.. confundo-me contigo.
Esqueci o meu nome ou estranhamente soa-me ao teu...



Maria Fernandesin Contemplações, Constatações e 30 Ventos (2015)

sábado, 21 de julho de 2012

TILT!

A mudez a ansiedade preencheram
Os impossiveis sonhos desta noite
Com sussurros lacerantes de nuvens negras de desilusão...
Fiz-me erma na impossibilidade
E dificuldade inócua das lágrimas.
Não.
Auto-linchei-me.
Do limbo nocturno emergi arrancada a esse abraço
Privada de mim própria, envolta em mim própria
Estarrecida e absorta me quedei
Como me quedo sempre.

À volta dos séculos, é impossível saber quando nos conhecemos embora lembre perfeitamente da vez em que nos encontramos na corrente vida. Os cernes nossos reconheceram-se imediatamente e decidiram que era altura de uma vez mais no decorrer das eternidades afinarem horizontes,- o Plano áureo e irrealizável conjunto.


Maria Fernandes