Ri-me por dentro ao ver que até debaixo da Terra te afundas. Imagino que tenhas já apodrecido, de tão podre que já eras. "Ah, meu filho da puta, tarde foste!"
Falta muito, ainda - constato. "Caralho!"
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Eis-me
Afasta essa madeixa, acaricia-me a face - beija-me a fronte.
Deixa que a suave brisa em mim
Deposite a verdade da minha ausência.
Se a figura ébano no banco de
Jardim às três da matina não me
Segredou as palavras contidas no
Livro sacro-secreto, receita do
Arroto que ressoou nas desertas
Ruas da minha cidade.
Se o latão alado que aqui me trouxe e
Não cuidou que cá me sonhasse embutir.
Se a cinza estática que noutra
Banda me aguarda não guarda
De mim a mais pálida memória.
Na cinza, de sombra não passo.
Na cinza de águas me não ato.
Deleito-me e deito-me nos vãos da
Minha escadaria, a que percorro
Com a ideia de lá em cima
Encontrar o meu Rosto, se é que
O levo comigo.
Afasta essa madeixa de cabelo -
Acaricia-me a fronte.
Permitirei que te banhes na
Tempestade contida dos meus olhos.
Permitirei que me arrebates
Em disfarçada e secreta paixão.
E dar-me-ei sem condição
Até que me vá. Até que em ti me vá.
Maria Fernandes, in Contemplações, Constatações e 30 Ventos (2015)
(revisto em 11.01.2014)
Deixa que a suave brisa em mim
Deposite a verdade da minha ausência.
Se a figura ébano no banco de
Jardim às três da matina não meSegredou as palavras contidas no
Livro sacro-secreto, receita do
Arroto que ressoou nas desertas
Ruas da minha cidade.
Se o latão alado que aqui me trouxe e
Não cuidou que cá me sonhasse embutir.
Se a cinza estática que noutra
Banda me aguarda não guarda
De mim a mais pálida memória.
Na cinza, de sombra não passo.
Na cinza de águas me não ato.
Deleito-me e deito-me nos vãos da
Minha escadaria, a que percorro
Com a ideia de lá em cima
Encontrar o meu Rosto, se é que
O levo comigo.
Afasta essa madeixa de cabelo -
Acaricia-me a fronte.
Permitirei que te banhes na
Tempestade contida dos meus olhos.
Permitirei que me arrebates
Em disfarçada e secreta paixão.
E dar-me-ei sem condição
Até que me vá. Até que em ti me vá.
Maria Fernandes, in Contemplações, Constatações e 30 Ventos (2015)
(revisto em 11.01.2014)
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Contemplação IX
1
A cada noite em que me
atiro
Na horizontalidade das
palavras e sou depois
Arrancada ao sonho pelas garras das madrugada
Que na erma dificuldade
das lágrimas
Me deixam hirta e
suspensa, morta e inanimada
Suplico pelo entendimento
do meu canto inócuo.
2
Se essa sentença absurda me
embatuca,
Me cala à tua beira, como
respirar?
Como caminhar, como
respirar?
O eco não me traz resposta
alguma
E já nem certeza tenho de a
querer ouvir
Com medo de ensurdecer e
ensandecer.
Desconheço realmente este
Reflexo no espelho
- em palavras se transforma.
3
Quis prostar-me de braços
abertos,
Receber a frescura dos
céus - um burbulhar
De partículas vibrantes a
recriar os tremores
que me causam a tua
proximidade...
Inebriar-me na aquática
melodia do meu quintal,
Querer saber porque
perseguida fui através das marés
Dos Perplexos Oceanos que
nos apartaram sem dó.
4
O rasto luminoso e invisível a comuns mortais
Que deixas neste corpo a cada milímetro
De toque amorna-me a alma e permite
À mente o ideal repetido por ínfimas eternidades...
Depois da partida resta-me o desejo de
Confessar às paredes ainda brancas
O grito austero que me afoga o peito.
O grito que me subjugou ao teu cheiro,
Que me deixou colada à tua pele.
Já não sou mais eu.. confundo-me contigo.
Esqueci o meu nome ou estranhamente soa-me ao teu...
Maria Fernandesin Contemplações, Constatações e 30 Ventos (2015)
sábado, 21 de julho de 2012
TILT!
A mudez a ansiedade preencheram
Os impossiveis sonhos desta noite
Com sussurros lacerantes de nuvens negras de desilusão...
Fiz-me erma na impossibilidade
E dificuldade inócua das lágrimas.
Não.
Auto-linchei-me.
Do limbo nocturno emergi arrancada a esse abraço
Privada de mim própria, envolta em mim própria
Estarrecida e absorta me quedei
Como me quedo sempre.
À volta dos séculos, é impossível saber quando nos conhecemos embora lembre perfeitamente da vez em que nos encontramos na corrente vida. Os cernes nossos reconheceram-se imediatamente e decidiram que era altura de uma vez mais no decorrer das eternidades afinarem horizontes,- o Plano áureo e irrealizável conjunto.
terça-feira, 17 de julho de 2012
Contemplação
A brisa um tanto arisca.
Os melros cantam.
Antes haviam brilhado, teus olhos.
Agora encerram contemplação etérea.
O chão cinza, tua tez imóvel.
Olho o recanto.
Pergunto como seria a vista de fora.
O chão cinza, tua tez imóvel.
Nada é conhecimento confiado
e se, enfim, te quero saber é na
demanda do capricho ou no capricho da demanda?
Pergunto à arisca brisa, ao melro
no cabo de tensão. Quis saber se
na tua interna contemplação estaria o Graal.
Olho o recanto: não há resposta.
Só o chão cinza e tua tez imóvel!
Maria Fernandes, in Contemplações, Constatações e 30 Ventos (2015)
terça-feira, 10 de julho de 2012
Premonição
Ouço.
Como se o cheiro desta enormíssima noite
Me trouxesse de volta o vazio dos anos
Em que em cada entardecer tentei
Em vão recompor-me do pesadelo da noite anterior..
Contemplo
A esvoaçante e lilás melodia do batuque
Da mente ao descortinar ideias e conceitos
Que não ouso pronunciar - profanos!!
E que me apartam e me acercam...
Sinto
O suave murmurar da respiração tua
Em minha pele arrepiada, ciosa de ti - de tudo de Ti!
Mil a milímetro, decibéis perecíveis, as cores..
Julgadas mortais, eis que emergem do vão desse bêco!
O teu cheiro
Rapta a monte e brada aos mundos
Ariscas e férreas vontades de jamais emergir das paredes azuis
As que, escravas, não tiveram remédio que
Ser testemunho de quinhentos e vinte e cinco mil milhões de outras vidas passadas..
E a meu palato
Vem o doce e tão acre sabor a Ti -
O mesmo que em aromas me cobriu por
Mais não sei quantas horas até que em solo sacro
Ou não sacro me ajeitei a este alarde de sentidos, que em verdade os sinto mais vãos que idos!
sexta-feira, 6 de julho de 2012
The Time of the Lie
Get myself rid of everything, even my Identity!
Undress me of Ideas, thoughts and conclusions.Not having an opinion, not knowing, not rebelling!
Get myself rid of the two feet around me,
Pour me of Aura -to be no longer Me.
Waive all and any felling.
To stone, stone becoming to the most
Pale shadow of emotion, - let it be gone.
'Cause nothing I own, nor own myself nor
Allow the soul the dream of owning you.
Maybe, again, in another Land, with
Another time and other Salt, maybe then...
It doesn't matter wich role we have -
Only that we have one. One of the Eternals, now, if you please.
One with no expiration date, that never expires irrevocably.
One that writes me about Eros and caresses me untouched.
One that whispers me in the falling night and dandles.
From the cliff I cast away the Voice that in terraces
Frightened me and retracted me.
In the end nothing more recalls but the Time of the Lie.
Maria Fernandes
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