Despir-me de Ideias, pensamentos e ilacções.Não opinar, não saber, não se revoltar!
Desfazer-me do meio metro à minha volta,
Vazar-me de Aura - não mais ser Eu.
Renunciar a todo e qualquer sentir
Apedrejar, pedra tornando-me à mais
Pálida sombra de emoção, - que se vá.
Que nada possuo, nem me possuo nem
Permito à alma que sonhe em te possuir.
Talvez, de novo, numa outra Terra, com um
Outro tempo e outro Sal, talvez então..
Não importe o papel que se tenha -
Apenas que se tenha um. Um dos Eternos, já agora, sff.
Que não tenha prazo de validade, que jamais expire irremediavelmente.
Que me escreva de Eros e me acaricie sem tocar.
Que me sussurre na noite ao cair e embalar.
Do penhasco atirar a Voz que em socalcos
Me amedrontava e retraía.
No final, nada mais lembra que a Hora da Mentira.
Maria Fernandes

