Engasguem-se e cuspam depois
A sanguinolência de saber ouvir
expectantes frases e esdrúxulas.
Ânsias confessoras de migalhas
Destas saudades.
Desculpem, mas alguém saberá
Porque motivo vivem suspensas
As penas, as cenas, madalenas
Da aurora que teima, no final
Em que não querer surgir?
Se por cada Rosto que neste espaço nos Olha
E por cada pequeno desdém que sentimos
A cada rodar de cabeça
Há um tufão de sensibilidades que nos
Assalta e mata no Obtuso instante
Em que tentamos respirar.
Maria Fernandes, in Contemplações, Constatações e 30 Ventos (2014)
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Contemplação VI
E de suas pavorosas entranhas
São reflexo do coração que bate nestas gentes.
Nesta fervorosa e verde Contemplação,
Por essas rochas e recortes fora
Por cada entremeado relevo da bruta
Pedra que se ergue das engolidoras vagas.
Contemplo a ondulante performance das
Cordas. Sussurrantes Cordas. Verdes. As Cordas.
As que atiçam cordelinhos lacrimais faces abaixo.
Em verdes tons os olhares jorrantes e
Desaguantes no ventre descarnado do Cerne.
Esse, toma o tom esverdeado que lhe convier.
Ora negro que nem morte nas catacumbas,
Ora lima e impossível de suportar!!!!
Maria Fernandes, in Contemplações, Constatações e 30 Ventos (2014)
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Confissão
O que confesso não é já mais que a
Improvável ideia de remissão e alienação
O que confesso não é já mais que a óbvia e
Improvável ideia da corrente presa á nascente.
Confesso o prelúdio desta demência
Que mais não é que o resultado de
Incoerentes visões e análises esdrúxulas
Da excepção. A que é, em meias palavras
A vida. E a morte – por afinidade.
Confissões e comiserações de embargos ao pensamento
O acima-de-tudo-racional, o que me perturba
E faz querer que tudo signifique o tudo e o nada.
Que tudo e nada são páginas da mesma folha
Em que me rendo e suspendo ao confessar
Demências, ideias negras, de Cordas e Multiversos
Que marietando almas, lá do Alto, se partem!
Maria Fernandes, in Contemplações, Constatações e 30 Ventos (2014)
Improvável ideia de remissão e alienação
O que confesso não é já mais que a óbvia e
Improvável ideia da corrente presa á nascente.
Confesso o prelúdio desta demência
Que mais não é que o resultado de
Incoerentes visões e análises esdrúxulas
Da excepção. A que é, em meias palavras
A vida. E a morte – por afinidade.
Confissões e comiserações de embargos ao pensamento
O acima-de-tudo-racional, o que me perturba
E faz querer que tudo signifique o tudo e o nada.
Que tudo e nada são páginas da mesma folha
Em que me rendo e suspendo ao confessar
Demências, ideias negras, de Cordas e Multiversos
Que marietando almas, lá do Alto, se partem!
Maria Fernandes, in Contemplações, Constatações e 30 Ventos (2014)
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Attempt
For each and every breath I take
Dreaming on you
There is a new bright on that sky above us.
That one that sorrounds us
While we look at each other
With fire in our eyes
Attempting to be like that
Million stars shinning on velvet skies
Could that be heaven?
Could that be that very important
Thing every one told us about?
Or is it just fake feelings?
Or is it just something only I
Dreamed about?
Maria Fernandes
Dreaming on you
There is a new bright on that sky above us.
That one that sorrounds us
While we look at each other
With fire in our eyes
Attempting to be like that
Million stars shinning on velvet skies
Could that be heaven?
Could that be that very important
Thing every one told us about?
Or is it just fake feelings?
Or is it just something only I
Dreamed about?
Maria Fernandes
nuvens um céu
ausente de pássaros
fios a pingar da memória
impossível
do mar que me habita
em marés desiguais
um mar-verbo que me atira
contra as rochas
da insatisfação fácil
de todos os dias
minguante sensação de ser
viver assim
estação outra
onde flores são pregos
que retiro do estigma
do gesto
André De Vasconcelos
ausente de pássaros
fios a pingar da memória
impossível
do mar que me habita
em marés desiguais
um mar-verbo que me atira
contra as rochas
da insatisfação fácil
de todos os dias
minguante sensação de ser
viver assim
estação outra
onde flores são pregos
que retiro do estigma
do gesto
André De Vasconcelos
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Contemplação V
À medida que revisito estes meandros de memória do que resta desta,
já meio corroída mente na busca por velhos nomes, tempos, formas reais
disformes e esotéricamente nítidas... sentires, ânsias, desejos doridos
por esmagamento me assaltam desde as catacumbas de mim. Se é verdade não
sou esta eu, quem serei então?
Era uma outra mulher, a que viu, ouviu, sentiu. Esta jamais se permitiria a tamanhas fraquezas! Esta, escudar-se-ia em ferros, espernearia até ao fim, preferindo ser coberta de mortalha a render-se!
"Atrás de ti!" - e de imediato o rebuliço. Aí recuo na busca de estilos, formas, luzinhas piscando no ar, estrelas no céu, olhos brilhantes e a certeza de "dejá vu". Tudo vem à tona aos estímulos certos. E que melhor para recordar do simplesmente fazê-lo?... A ideia do que escrevo raras vezes é a ideia da que escreve. Contudo a que escreve raras vezes não está contida na ideia escrita. Em cada forma textual que idealizo um escoamento de capital sensorial e emotivo - preto no branco! Que sintam o que quiserem, se o quiserem! Que pensem o que quiserem, se pensarem!
Cansa ter de explicar-se a cada rosto. Será realmente precisa a nitidez? A explicação? Não poderão os rostos apreender ideias escritas e transformar conceitos a seu bel-prazer? E até que ponto pode tal prejudicar a ideia que se quis, de facto escrever? Mas será que queremos mesmo ser entendidos?!
Deixa-me atónita a beleza dos factos ocorridos.
Maria Fernandes, in Contemplações, Constatações e 30 Ventos (2014)
Era uma outra mulher, a que viu, ouviu, sentiu. Esta jamais se permitiria a tamanhas fraquezas! Esta, escudar-se-ia em ferros, espernearia até ao fim, preferindo ser coberta de mortalha a render-se!
"Atrás de ti!" - e de imediato o rebuliço. Aí recuo na busca de estilos, formas, luzinhas piscando no ar, estrelas no céu, olhos brilhantes e a certeza de "dejá vu". Tudo vem à tona aos estímulos certos. E que melhor para recordar do simplesmente fazê-lo?... A ideia do que escrevo raras vezes é a ideia da que escreve. Contudo a que escreve raras vezes não está contida na ideia escrita. Em cada forma textual que idealizo um escoamento de capital sensorial e emotivo - preto no branco! Que sintam o que quiserem, se o quiserem! Que pensem o que quiserem, se pensarem!
Cansa ter de explicar-se a cada rosto. Será realmente precisa a nitidez? A explicação? Não poderão os rostos apreender ideias escritas e transformar conceitos a seu bel-prazer? E até que ponto pode tal prejudicar a ideia que se quis, de facto escrever? Mas será que queremos mesmo ser entendidos?!
Deixa-me atónita a beleza dos factos ocorridos.
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